Palavra do Provincial
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A Suprema Misericórdia

destaque_jesus“E quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim”. (Jo 12,32)

Estamos no ano extraordinário da Misericórdia, proclamado pelo papa Francisco. Muito já se escreveu e se publicou sobre o seu significado, importância e frutos para os cristãos. Neste artigo, vou me deter em Jesus Crucificado, a suprema misericórdia do Pai, que é o carisma dos passionistas.

A causa da Encarnação de Jesus foi a Misericórdia que salva e liberta: “Pois Deus não enviou seu Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). A morte de Jesus na cruz foi o resultado de uma opção assumida até as últimas consequências: o AMOR. O que bastaria com a “Presença Encarnada”, Deus foi além, num amor sem limites, culminando com a morte pungente na cruz. (Fl 2, 6-8)

Várias expressões bíblicas sobre a Paixão do Senhor apresentam o Calvário como o lugar por excelência da Misericórdia divina e como fonte transbordante de efeitos benéficos para os filhos e filhas de Deus; uma delas resume o grandioso gesto da cruz: “Não há maior amor do que dar a vida pela pessoa amada” (Jo 15,13). O Filho entrega a vida assumindo nossas iniquidades sobre si mesmo (Is 53, 4) e o Pai, participando com infinita compaixão desse momento, estremecido até as entranhas, doa o Filho muito amado, como prova irrefutável de seu amor para conosco.

Em Jesus Crucificado tudo é expressão da Misericórdia: seus braços abertos manifestam o abraço universal do Pai que perdoa e acolhe a todos (Lc 15,7); seu Coração transpassado é um convite ao descanso, a porta aberta por onde o pecador, ao passar, recupera a dignidade e a filiação; as chagas em seu corpo são as marcas de que fomos libertados do mal; a cruz, os espinhos e os cravos a descrição da mais estupenda página de amor escrita na face da terra.

Cristo, suspenso na cruz, concretiza também a Profecia da Misericórdia de Ez 47,1-9.12, pois do seu lado aberto nasceu a Igreja, Mãe providente, solidária e samaritana que, como num rio de água viva, fecunda a criação e fertiliza a vida, pela ação benigna do Espírito Santo; e através da Palavra, dos sacramentos e das obras de misericórdia, inclui todos os povos no Coração amoroso de Deus.

No Homem-Deus Crucificado, a vitória da Misericórdia se dá pelo dom da Ressurreição: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). Na cruz o amor venceu, a vida não morre mais; tomaram sentido nossas lutas cotidianas e nossos clamores por um mundo mais fraterno e justo. “Os verdadeiros amigos do Crucificado celebram ao pé da cruz e, no templo interior, a festa da cruz, com alegria, com rosto jovial e sereno…” (São Paulo da Cruz).

Neste tempo quaresmal, tomemos mais nas mãos o crucifixo, sentindo que “é possível deixar-se reconciliar com Deus através do mistério pascal e da mediação da Igreja. Porque Deus está sempre disponível para o perdão, não se cansando de oferecê-lo de maneira sempre nova e inesperada” (MV, 22). E como resposta “apresentemos ao Pai, o seu próprio Filho, a mais eficaz e a mais amorosa das súplicas, para que sejamos salvos da perdição.” (Dom Claudio Hummes)

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP

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Escrito por Província do Calvário

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