A Conferência Episcopal do Chile divulgou nesta sexta-feira, 18, um comunicado informando que todos os 34 bispos chilenos, que participaram da reunião com o Papa Francisco em Roma, nesta semana, colocaram seus cargos à disposição do Santo Padre.

Os bispos foram convocados pelo Pontífice para analisar casos de abusos cometidos por membros da Igreja nos últimos dez anos. Na reunião desta semana com o Papa, os bispos receberam o relatório feito por Dom Charles J. Scicluna, enviado ao Chile, em janeiro deste ano, para investigar o problema.

O secretário-geral da Conferência Episcopal do Chile, e bispo auxiliar de Santiago, Dom Fernando Ramos, destaca que as conclusões e reflexões do Papa sobre o relatório indicam com clareza uma série de “atos absolutamente reprováveis”, ocorridos na Igreja Chilena, em relação aos “inaceitáveis abusos ​​de poder, de consciência e sexuais”, que levaram à diminuição do vigor profético que a caracterizava.

Dom Ramos afirma que, diante desta realidade, os bispos entenderam que era preciso declarar sua “disponibilidade absoluta” ao Pontífice, e assim, colocar suas posições pastorais nas mãos do Papa. “Desta forma, poderíamos fazer um gesto colegial e solidário, assumir – não sem dor – os graves acontecimentos ocorridos e para que o Santo Padre pudesse dispor livremente de todos nós”.

O bispo de San Bernardo, Dom Juan Ignacio González, membro do Comitê Permanente da Conferência Episcopal do Chile, explica que o fato deles colocarem suas funções à disposição do Papa implica que, enquanto o Pontífice não fizer nenhuma determinação, cada bispo continua em seus trabalhos pastorais e em plena função.

“O Santo Padre, segundo o que estimar conveniente, pode aceitar de imediato a saída de um bispo, também pode rejeitá-la, e, portanto, seria confirmado em seu cargo, ou também, pode aceitá-la e torná-la efetiva mediante a nomeação da nova autoridade diocesana”, destaca Dom González.

Na declaração publicada hoje, os bispos pedem perdão pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao povo de Deus e ao país pelos “graves erros e omissões” cometidos por eles.

“Nós nos colocamos em caminho, sabendo que esses dias de diálogo honesto representam uma pedra angular de um profundo processo de transformação guiado pelo Papa Francisco. Em comunhão com ele, queremos restabelecer a justiça e contribuir para a reparação do dano causado, para dar novo impulso à missão profética da Igreja no Chile, cujo centro sempre deveria ter sido em Cristo”.

Por Canção Nova, com Conferência Episcopal do Chile