Papa“Eu vim para servir”. (Mc 10,45)

A Campanha da Fraternidade 2015 traz como tema: Fraternidade, Igreja e Sociedade e como lema: Eu vim para servir (Mc 10,45). Seu objetivo geral busca aprofundar o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, reflete toda a caminhada iluminada pelo Concilio Ecumênico Vaticano II e trata de testemunhar o rosto de uma Igreja servidora.

“Eu vim para servir” foi a resposta de Jesus aos discípulos quando disputavam o primeiro lugar entre eles. Nesse mesmo contexto, Jesus proclamou o poder/serviço e a autoridade, como promotora do bem comum. Ele, que não veio para ser servido, mas servir e dar a vida em resgate de muitos, inaugurou um novo tempo, onde “as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres, sobretudo, dos pobres, são também as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1).

Olhando para o Cristianismo, desde os seus primórdios, vemos que o “serviço” sempre foi a marca de uma Igreja em saída, que inspirada no amor de Jesus, suscitou obras de assistência social e proximidade com os mais necessitados, visando a promoção humana e ações libertadoras. Na história do nosso país, não tem sido diferente a trajetória da Igreja; ela nunca se manteve alheia às várias situações vividas pelo povo brasileiro.

Um dos objetivos desse ano da Vida Religiosa Consagrada, propostos pelo papa Francisco, é conscientizar os religiosos (as) do seu serviço ímpar na construção da civilização do amor e da ternura, da solidariedade e da paz. “DESPERTEM O MUNDO!” tem sido o apelo do pontífice, para os (as) consagrados (as), uma vez que o carisma não é uma garrafa de água destilada, mas uma novidade constante do Espírito, que deve arrancar as pessoas do sono da insensibilidade e levá-las a gestos que acolham e curem. (Doc. Perscrutai)

Nesse sentido, acredito que, nós passionistas, temos buscado manter o espírito de vigilância, pois a Paixão do Senhor, continuada na Paixão da humanidade, tem exigido uma resposta constante da nossa parte e um olhar sempre mais profundo em Deus e em sua bondade, no ser humano e em suas necessidades, no tempo e em suas vicissitudes.

São Paulo da Cruz que “descobriu” em Jesus Crucificado, a razão de todo serviço, tem nos inspirado a permanecermos nessa escola de AMOR SUPREMO, onde a fidelidade e a entrega, o despojamento e a disponibilidade são as lições primeiras que devem impulsionar as ações do discípulo, em prol da construção do Reino de Deus.

Nosso serviço na Igreja e na sociedade, mais do que uma atividade específica, tem sido um estilo de vida, pela oração, contemplação do Crucificado, vivência comunitária e pelas diversas atividades, como: o ministério da Palavra, a pregação de retiros, as missões populares, o acompanhamento espiritual, o apostolado paroquial, a formação de lideranças, o acolhimento dos pobres e necessitados e a missão “ad gentes”. A vida ameaçada tem nos inquietado…

“Eu vim para servir”. A essa afirmação de Jesus, se junta o seu convite: “Vos dei o exemplo para que façais o mesmo” (Jo 13,15). Que esse tempo quaresmal nos leve a rever as motivações do nosso serviço, num profundo caminho de conversão e de Páscoa.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP