Artigos da congregação
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EU E A TRINDADE

TEXTOS: Jo 14,1-18; Ef 1,1-14; Ef 2,13-18.

Para rezar, posso “materializar uma cena da Trindade, como no ícone de Rublev ou dos livros A CABANA ou REVISITANDO A CABANA.

3. Santssima_Trindade3A Constituição Dogmática Lumen Gentium coloca a Trindade dentro da igreja e, podemos supor, a Igreja dentro da Trindade. Esclarece a missão e o múnus do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É da Trindade que nasce o Reino de Deus, a Igreja a ser redimida e santificada (1-6). E a Igreja, na sua escatologia, volta para a Trindade (cap. VII).

A essência do Novo Testamento é a relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nela, há ausência total de hierarquia e incrível vontade de nos abraçar e nos envolver, mesmo na raiva. Jesus não veio ao mundo para ser seguido por nós, mas para partilhar conosco nada menos que a própria vida e os relacionamentos da Trindade.

Há um companheirismo relacional glorioso . Não há depressão, medo ou insegurança. A vida trina é uma grande dança de comunicação interligada e de intimidade. O amor centrado no outro, no mútuo deleite. A Trindade resolveu repartir a vida trina com a humanidade e com o mundo. Quer compartilhar o amor, a alegria, a liberdade e a luz que ela vive. Ela derrama seu amor sobre nós e nos convida a repartir, a conhecer e experimentar a vida trina.

Em Cristo, a Trindade estabelece uma relação verdadeira conosco. Deus entra na existência humana e partilha a vida trina. A vida trina se instalou na miséria humana. O Espírito Santo nos revela Jesus para podermos conhecer e experimentar a relação de Jesus com o Pai e nos tornar livres para viver no abração do Pai em Jesus.

As pessoas são relações de paternidade, filiação e aspiração. Um Deus que se relaciona conosco e ESTÁ A NOSSO FAVOR. Diz Santo Agostinho que Deus é “Superior summo meo, interior intimo meo”. Isto é, Deus continua um Deus escondido (absconditus) e também é o mais íntimo do meu interior. Quando age fora Dele (ad extra), Ele é indiviso. Mas, ad intra, se distingue pelas relações de paternidade, filiação e amor.

O sopro (= Espírito Santo) sai da boca do Pai (em Adão, por exemplo) e do Filho (= ao expirar na Cruz). O Espírito é sopro e vida… O Pai é o amante, o Filho é o amado amante e o Espírito é o Amor. Assim, a Trindade, em nós, é origem e destino. No fim, Deus será tudo em todos (1Cor 15,28). Em Jo 2º, 19-23, Jesus sopra o Espírito sobre os apóstolos e sobre nós para perdoar os pecados e renovar a nossa vida.

Jo 14,1-18:

Reze o texto compondo uma cena e entrando na cena para olhar e ser olhado por Jesus. Os discípulos ficam perturbados, porque pressentem separação e imaginam que o relacionamento com Jesus acabará. Veja como você se relaciona com Jesus e o que sente.

Jesus pede que tenham fé e que os discípulos acabarão tendo o mesmo “destino”, o mesmo futuro na casa do Pai. Ele vai nos integrar no mistério da Trindade com a sua vida, refazendo os relacionamentos que existem na Trindade em nós. A Igreja primitiva desejava ardentemente a parusia e a volta de Jesus para que a esperança da feliz integração se realize (1Ts 4,16-18). Jesus, indo para o Pai, não vai implodir ou explodir a ponte que O leva, mas Ele mesmo se torna o CAMINHO para a reunificação. E os discípulos conhecem Jesus. Por meio de Jesus chegamos ao Pai e O conhecemos e vemos. Jesus e o Pai são um.

O amor trará o Espírito Santo, o Paráclito, o Espírito da Verdade, que permanecerá com eles para sempre. Assim, os discípulos entrarão no mistério da Trindade e não ficarão órfãos. O texto mostra que Jesus (e a Trindade) vai e volta. Saímos de Deus e a Deus voltamos pela criação do Pai, a redenção do Filho e a santificação do Espírito. A Trindade nos “puxa” para dentro dela e para a sua harmonia gloriosa. A Trindade se torna um acontecimento HISTÓRICO (Bruno Forte – A TRINDADE COMO HISTÓRIA).

Nós fomos criados à imagem de Deus Pai, enquanto ajudamos na criação. À imagem de Deus Filho enquanto acolhemos em nós e para o mundo a salvação e a vida. Somos Espírito Santo enquanto unimos e nos reunimos. Deus continua criando, redimindo e santificando em nós. Santo Agostinho se refere ao Espírito como o “elo de amor” entre o Pai e o Filho e, ainda mais, como o “próprio amor.” Ele garante nosso relacionamento com a Trindade. Ele derrama este relacionamento sobre a humanidade, tornando-nos participantes da vida divina. Alguém que gosta de fazer com que os outros partilhem a vida e é repleto de paixão pela comunhão.

Santo Tomás de Aquino tentou racionalizar a Trindade dizendo que Deus é uma única SUBSTÂNCIA OU ESSENCIA, mas é Uno e Trino pelas relações: paternidade, filiação e espiração ativa. Lembra as potências humanas: memória, inteligência e amor. O Espírito, que é amor, realiza a unidade.  A Trindade nos “arrasta para dentro dela. Graças ao seu eterno amor, as pessoas divinas vivem uma na outra de tal forma, que são um só. No relato pascal, o Pai envia ou entrega o Filho. O Filho se entrega ao Pai e a mundo e a nós. Na Cruz, entrega também o Espírito (filioque), ao expirar. O Espírito realiza em nós a união com Cristo e o Pai, numa inabitação ou pericorese, respeitando nossa identidade. É a interpenetração mútua.

A Trindade não é de momento. Continua a gerar hoje. Sua Palavra continua ecoando dentro do mundo de hoje. Para amar, Deus tem que ter amor dentro Dele. É o amor entre as 3 pessoas que se derrama sobre a mundo. É o amor do Deus Trindade que se estende sobre o mundo. O amor, se fosse só de uma pessoa da Trindade, seria egocêntrico. Mas, o amor é trino e nos envolve. O amor é RELACIONAMENTO.  NÃO ESTAMOS AQUI PARA GLORIFICAR A DEUS, mas para viver a GLÓRIA DA TRINDADE. Na Trindade, somos abraçados para sempre, apesar de nossos pecados e misérias.

 


 

PERGUNTAS:

Aos olhos da fé, quem e o que você é dentro da Trindade?

Como a vida trinitária se torna histórica em você?

Como as relações trinitárias (paternidade, filiação e amor que une) são vividas por você?

 

Por Pe. Eugênio João Mezzomo, CP – Missionário Passionista

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Escrito por Província do Calvário

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