Palavra do Provincial
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O Menino Jesus e o Papai Noel

papai-noel-e-o-menino-jesusO Natal se aproxima… Em nossas Igrejas, o advento vai marcando, a cada semana, o caminho dos cristãos em preparação ao Nascimento de Jesus. A chegada do Salvador vai enchendo nossas liturgias de alegria e júbilo; os presépios armados num canto das marquises indicam que o tempo de Deus novamente cruzará o tempo na terra.

Nas ruas, o colorido e as luzes das vitrines é um colírio para os olhos. O fetiche natalino faz as pessoas entrarem e saírem das lojas; todos correm atrás de ofertas… Nem mesmo a crise consegue segurar o impulso de comprar um móvel novo, uma roupa da moda ou algo que traduza a novidade do Natal.

Fico a pensar nos opostos: nossas igrejas x nossas vitrines; do mercado natalino, que vai das bancas expostas nas avenidas aos Shoppings Centers e da mensagem cristã que os cristãos teimam em apresentar à humanidade esperando um maior compromisso com Deus e com o próximo. Nesta luta desigual, infelizmente não podemos repetir como o profeta Jeremias: “Venceste Senhor!” (Jr 20, 7)

Há muito tempo que o Papai Noel, símbolo do poder econômico e do consumismo desenfreado, roubou o lugar do Menino Deus. Lembro-me que, numa cidade onde residi por cinco anos, o bispo lançou uma campanha em parceria com as lojas cujos proprietários eram cristãos, para que fizessem sempre um presépio em meio às mercadorias expostas e colocassem a imagem do Menino Jesus em evidência. Por dois anos parece que a ideia “pegou”. No entanto, visitando dias atrás essa cidade, não vi presépios nem imagens do Menino Jesus, em grande parte das lojas que outrora participaram da campanha. Porém, os papai noéis, estavam por toda parte e das mais determinadas formas…

Não gosto do Papai Noel, embora associem o velhinho bom e simpático com o grande São Nicolau, arcebispo de Mira na Turquia, do século IV. Ele tirou o lugar do Menino Deus no Natal, nos corações, nas vidas dos seres humanos e semeia confusão entre os cristãos. Em muitos lares não há presépios, mas lá está ele, se destacando entre os enfeites natalinos, passeando de trenó com suas renas, tocando guitarra, ofegante com o grande saco de presentes nas costas… Ele distrai, alegra, mas não aponta a realidade verdadeira do Natal.

Não gosto do Papai Noel porque ele faz discriminação social. Prefere crianças ricas que têm lareiras em suas casas e boas meias para esperá-lo enquanto crianças pobres, que moram em barracos, sem lareira ou chaminés, que caminham descalças pelo duro chão da fome, da miséria e da violência, não têm vez! Nunca ouvi dizer que Papai Noel, caminhasse entre os pobres, distribuindo seus presentes… Vejo sim, homens e mulheres de boa vontade, que em todas as épocas do ano, conseguem aliviar um pouco o sofrimento da criança pobre, na pastoral da criança, no voluntariado das comunidades cristãs, etc… Isso não é fantasia, é realidade, é coração que sai de si para incluir o outro.

Não gosto do Papai Noel porque ele frustra os sonhos. Dom Hélder Câmara dizia que são bem-aventurados os que sonham porque os sonhos não lhes serão roubados, mas o Papai Noel tem a capacidade de frustar e roubar sonhos. Quantas crianças têm seus sonhos realizados pelo velhinho bondoso? Quantas já escreveram cartas a ele e tiveram respostas? Roubar os sonhos de uma criança é roubar suas esperanças, suas utopias e seu horizonte…

Não gosto de Papai Noel porque ele aparece apenas numa época do ano enquanto as necessidades dos pobres são diárias e os presentes mais desejados como: compaixão, solidariedade, respeito e dignidade não existem no seu saco. Embora um ou outro receba, do velho bondoso, um presente de Natal, o encanto é passageiro e a alegria não consegue manter acesa a chama da perseverança na dureza da vida.

Prefiro o Menino Jesus que não conheceu o Papai Noel e nunca ganhou dele um presente, mas se deu como presente no seu nascimento. Viveu entre os pequenos da terra, alimentando os seus sonhos, incluindo-os no seu projeto de vida e, ao morrer entre os últimos, colocou os pecadores entre os primeiros no Reino dos Céus. Ele se fez o maior presente para todos porque se fez SALVAÇÃO.

Que neste Natal o Papai Noel ilusório não apague a luz verdadeira que o Menino Deus veio trazer à terra e aos corações humanos.

Feliz e santo Natal!

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP

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Escrito por Província do Calvário

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