Palavra do Provincial
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Paulo da Cruz: vocacionado à Misericórdia

“Vai, e faze tu o mesmo.” (Jo 10,37)

São Paulo da Cruz junto aos marginalizadosO mês de agosto nos leva a refletir mais profundamente a questão vocacional: nossas opções e decisões, a vocação que abraçamos ou almejamos abraçar “para sempre”, o chamado e o convite de Deus… Nesse ano santo extraordinário, a reflexão deve passar pelo crível da Misericórdia.

A Igreja (no Brasil), como mãe amorosa, se preocupa com a felicidade dos seus filhos e filhas e ao nos oferecer um mês temático vocacional, quer afirmar que ninguém pode viver neste mundo sem sentido, uma vez que a existência terrena de Cristo foi carregada de significado e Ele mesmo nos ensinou a viver na terra direcionados para o céu.

A palavra vocação nos remete diretamente a Jesus, o vocacionado por excelência do Pai. Com sua vida, Ele deixou claro que a vocação está na essência do ser humano, ou seja, todo homem e toda mulher foram chamados a realizar algo e a exercer com eficácia uma missão. O chamado é sempre de Deus, a iniciativa é Dele, mas cabe ao ser humano, em sua liberdade, responder conforme o seu desejo.

Sentir-se vocacionado é responsabilizar-se, a cada momento, pela grandiosidade da vida e, diante de tantos desafios, fomentar a consciência de que, por um lado, tudo depende de Deus, porém muitas coisas dependem do ser humano. O vocacionado aprende, a cada dia, a olhar para si mesmo, para as pessoas e para o mundo e interrogar-se sobre a contribuição de cada um para que a vida aconteça para todos. Esse olhar se fundamenta no presente em vista de um futuro promissor.

Desse modo, quero apresentar São Paulo da Cruz, como vocacionado à misericórdia. Inserido no seu tempo (séc XVIII), Paulo da Cruz buscou viver com os pés fincados no chão da história, com os ouvidos atentos à voz de Deus e com os olhos direcionados para as necessidades urgentes da Igreja e da sociedade. Paulo partiu da real experiência que fez com Jesus Crucificado, tomou os seus sentimentos e não exitou em optar por transformar o mundo na força da Paixão, convicto de que a Paixão de Jesus é a maior prova da misericórdia de Deus pela humanidade.

Como vocacionado à misericórdia  experimentou-a por primeiro, chegando a afirmar aos 26 anos, que era um “milagre da misericórdia divina”. Portador de um anúncio existencial diferente dos valores de um mundo sem Deus, Paulo mostrou-se vocacionado às obras de misericórdia, sobretudo no cuidado com os enfermos e com os pobres.

Ele buscou, desde o início, a espiritualidade do Bom Pastor. Seus biógrafos atestam que depois de um retiro de 40 dias, onde escreveu a regra dos “Pobres de Jesus” (primeiro nome que a Congregação Passionista recebeu), obteve a permissão do pároco local para sair pelas ruas da cidade de Castelazzo em busca das ovelhas perdidas. Com o crucifixo e uma campainha nas mãos, convidava as pessoas para a catequese e para as atividades da Igreja. Para ele era evidente que o vocacionado à misericórdia não se consagra para si mesmo, mas para o rebanho.

Paulo da Cruz mostrou ainda o que é ser um “cristão em saída”. Como contemplativo da Paixão do Senhor, se fez profeta e missionário da Páscoa: saciando a multidão faminta da palavra de Deus nas missões populares e nos retiros espirituais; acolhendo as pessoas e suas fragilidades, através de cartas e orientações à distância; no trato com os penitentes que a ele acorriam para o sacramento da reconciliação; se fazendo próximo dos co-irmãos da sua comunidade religiosa e com a Congregação que nascia… Ternura e compaixão foram marcas deixadas por Paulo, na vida e no coração de todos(as) que o buscaram para encontrar Deus.

Neste mês vocacional pergunte-se: tenho sido misericordioso na vocação que abracei? Quando penso nas várias vocações, tenho consciência de que optar por uma delas significa buscar a felicidade do outro para realizar-me?

Que São Paulo da Cruz nos ajude a viver, com alegria e misericórdia, a nossa vocação.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP

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Escrito por Província do Calvário

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