Texto: Lc 18, 35-43

5. cego-bartimeuNo tempo deste cego de Jericó, ano 30, as pessoas acreditavam que tudo vinha de Deus. Deus estava por baixo de todas as coisas. Até a cegueira, como em Jo 9, é castigo de Deus. Viam Deus em tudo e O bendiziam por tudo o que existe. Hoje, a razão procura encontrar explicações científicas para todas as coisas e isso é até muito bom, se não esquecemos que Deus tem o seu lugar como fundamento de sentido para a vida. Deus continua agindo no íntimo das coisas. Acompanhemos os passos do cego.

Antes de tudo o cego se dá conta que é cego, que não enxerga. Se não descobrisse isso, nada procuraria. Depois fica sabendo que Jesus passava por ali e que poderia curá-lo. Em terceiro lugar, o cego começa a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim”.

O povo não quer ser incomodado com os gritos. As pessoas mandam que ele cale. Muita gente espera que os pobres e espoliados se calem, que não gritem, que não atrapalhem. Esperam até que o pobre e o cego continuem subjugados. Mas, Jesus tem compaixão e o chama.

Em quarto lugar, ele responde a pergunta de Jesus: “Que queres que eu te faça?” A resposta do cego é: “Senhor que possa ver novamente”. Ele deseja ver. O desejo é importante. Em quinto lugar, depois de curado e integrado, o cego seguia Jesus.

 

Como rezar esta cena.

Em primeiro lugar sugiro que você se identifique com o cego até mesmo com suas crenças e modo de ver o mundo, as coisas e Deus. Depois examine como você vê todas estas coisas e até a si mesmo.  A cegueira foi considerada muitas vezes como falta de fé. João da Cruz nos fala da Noite Escura”, onde é preciso andar apenas na fé. E isso deve ter acontecido com você e comigo também. Por isso, aplicamos a lição para nós mesmos.

Siga então os passos do cego. Primeiro reconheça que você é cego, isto é, sua fé é muito pequena, muito pequena mesmo. Se você não reconhece isto, não irá adiante nem mesmo se você chegar ao segundo passo que é reconhecer que Jesus nos pode curar e dar a luz da fé. A fé é uma graça que deve ser pedida com humildade. Se você toma consciência de sua cegueira, certamente vai dar o terceiro passo, que é gritar e continuará gritando mesmo quando os que estão a seu lado mandarem você calar e ficar em silêncio.

Se você continuar a “gritar”, Jesus olhará para você e lhe fará a pergunta para você dar o quarto passo, que é pedir com humildade: SENHOR, EU QUERO VER, EU QUERO TER FÉ. Eu quero ter luz, eu preciso de luz. Senhor, ajude-me a ter fé. E Cristo, no momento oportuno, pode ajudá-lo e você passará ao quinto passo, quando você vai seguir Jesus pelo caminho.

Alargue agora a cena e identifique-se com uma ou mais pessoas presentes à cura do cego. Muitas pessoas acham que tem fé e até muita fé. Não descobrem que andam às apalpadelas e se agarrando em ilusões e se arrastando pela vida. Não pediram como os apóstolos que disseram a Jesus: “Creio, Senhor, mas aumentai a nossa fé”. Fazem como o fariseu no templo, que se crê cheio de fé e despreza o pobre do publicano, que reconhece seu pecado e reza humildemente de cabeça baixa. Essas pessoas não vão pedir luz, mas, mandam o cego calar. Acham que enxergam e dispensam a oração e não pedem a Jesus o socorro necessário.

Deste modo, Jesus acaba passando pela “nossa Jericó” e não pedimos nada, não esperamos mais luz e vida. Achamos que somos até santos e cheios de fé.

Identifique-se também com Jesus. Descubra o que Ele sente e como Ele olha as pessoas. Abra os olhos e os ouvidos como Jesus e escute os gritos do mundo. Veja o que está acontecendo ao seu lado. O papa Francisco nos diz que embotamos a compaixão e não nos deixamos tocar com santa indignação diante dos sofredores. Na “Misericordiae Vultus, nos diz que a compaixão, a misericórdia, é a “arquitrave” da nossa espiritualidade.  Vemos barbaridades ao nosso lado, e achamos que isso é normal. Não nos espantamos com o sofrimento do mundo. Vemos assassinatos, guerras e nos calamos e até gritamos para que todos se calem. Queremos sossego sem compromissos.

Faça então como Jesus e chame os sofredores para perto de você. Pergunte o que está acontecendo, observe o coração das pessoas. Tenha compaixão e se coloque a serviço dos que precisam ver, ter vida e enxergar. O Crucificado e os crucificados devem marcar a sua vida.

Entre no coração de Cristo. Perscrute como Ele olha para os cegos de hoje, capte o que Ele sente por eles e particularmente por você. Deixe-se amar por Jesus e ame.

Por fim, recoloque-se diante de Cristo e examine bem quais são as suas cegueiras, seus problemas. Constate o que está acontecendo com sua vida e reparta com Jesus o que vai sentindo. Ele vai compreender você.  Não deixe Jesus atravessar a “sua Jericó” sem se aproximar Dele e sem gritar”.

 

PERGUNTAS:

  • Você realmente tem fé?
  • Diga a Jesus o que Ele pode fazer por você neste momento.
  • Como descreve sua compaixão para com os sofredores deste mundo?

 

Por Pe Eugênio João Mezzomo, CP
Missionário Passionista