Palavra do Provincial
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Quaresma e Fraternidade

Quem ama a Deus, ame também seu irmão.” (1Jo 4, 21)

cruz3A Quaresma entrou no calendário litúrgico a partir do século IV, e se distingue dos demais tempos do ano, por ser um período de preparação para a Páscoa, centro do Ano Litúrgico. São quarenta dias marcados pelo aspecto penitencial e ao mesmo tempo de renovação das promessas do batismo. Essa caminhada pascal e de conversão traz presente os quarenta anos que o povo de Israel andou no deserto antes de chegar à terra prometida, terra de leite e mel, e os quarenta dias que Jesus passou no deserto, antes de anunciar a vinda do reino. Que subiu a Jerusalém para cumprir a missão que o Pai lhe confiou: dar a vida pela humanidade e ser glorificado.

Desde a década de 60, graças ao Concílio Vaticano II, a Quaresma, no Brasil, passou a ser celebrada em mutirão, em fraternidade. A Campanha da Fraternidade surgiu como um meio de desenvolver o espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária como a verdadeira penitência que Deus quer de nós em preparação da Páscoa. Assim, teve como objetivo inicial, conscientizar os fiéis católicos da sua missão na Igreja; caminhar juntos e participar, foi a sua grande preocupação (1º fase). Aos poucos passou a acentuar os problemas sociais que afligiam o povo brasileiro (2º fase) e ultimamente tem buscado despertar os cristãos para as necessidades básicas existenciais que impedem os filhos de Deus de terem vida em plenitude (3º fase).

A Campanha da fraternidade 2016 é ecumênica, isto é, as Igrejas que integram o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), também a assumem como clara demonstração de unidade, a construção de um mundo justo, solidário e fraterno; esta já é a 4ª Campanha da Fraternidade Ecumênica (2000, 2005, 2010 e 2016). Sua abertura será na quarta-feira de cinzas, com o tema: “Casa Comum, nossa responsabilidade” e como lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).

O que ela pretende? “Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”. (Objetivo Geral – Texto Base – CF/16), isso significa “assumirmos o desafio de proteger a Casa Comum unindo-nos por um desenvolvimento sustentável e integral.” (Laudato Sí).

Essa Campanha da Fraternidade quer provocar diálogos que contribuam para a reflexão crítica dos modelos de desenvolvimento que tem orientado a política e a economia do nosso país, bem como nos colocar em sintonia com o Conselho Mundial das Igrejas e com o Papa Francisco que nos tem chamado a atenção para o fato e que o atual modelo de desenvolvimento está ameaçando a vida e o sustento de muitas pessoas, em especial as mais pobres; um modelo que tem destruído a biodiversidade.

Cuidar da casa comum é sentir-se parte de toda a criação e ser responsável por ela. É tomar uma postura crítica diante de um mundo dominado pelo capitalismo, que tem definido o padrão de consumo e de relação entre as pessoas e destas com todo o mundo que as cerca; mundo organizado pelo mercado. Assim, embora a humanidade tenha condições técnicas de suprir as necessidades e garantir condições de vida adequada para todos os seres humanos, nosso “pecado social” tem se expressado no que o papa chama de “globalização da indiferença”, que ignora o sofrimento de milhões de pessoas em todo o mundo e os problemas que afetam o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos. Um mal que deve ser enfrentado pelos cristãos.

Para que nos sintamos comprometidos com esse mutirão da vida, a Campanha da Fraternidade 2016 nos interroga: Olhando para a realidade das nossas cidades, todos tem acesso ao saneamento básico? O que temos feito para economizar água, descontaminar os rios e nascentes, preservar florestas e reservas naturais, despoluir o ar, separar o lixo reciclável do lixo orgânico etc.? Como anda a nossa luta pela justiça e nosso empenho para que as pessoas vivam com dignidade, no seu direito à saúde, à moradia, à terra e ao trabalho? Como temos cuidado da NOSSA CASA COMUM?

Pequenos gestos que parecem insignificantes transformam realidades de morte em qualidade de vida para todos. Essa é a verdadeira conversão que o Senhor espera de nós nesse tempo quaresmal. Boa Quaresma, com fraternidade!

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP

 

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Escrito por Província do Calvário

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