TEXTO: Fil 3, 7-21

O Carisma Passionista nasce da união com o Crucificado. O texto proposto é talvez o mais apropriado para fundamentar nosso carisma, mesmo sabendo que Paulo da Cruz não o tenha usado nos seus escritos. Os filipenses estavam caindo na tentação de buscar a salvação na observância da lei mosaica e não se deixavam abraçar por Jesus. Convido-o a abraçar o projeto de Jesus para transformar o mundo e as pessoas, começando por nós mesmos.

Paulo apóstolo percebe que a Lei é colocada acima de Cristo por muitos filipenses e chama estes judeus de cães castrados e falsos circuncidados. Os circuncidados somos nós, diz ele, que prestamos o verdadeiro culto a Deus pelo Seu Espírito e nos gloriamos em Cristo Jesus e não na carne. Jesus é a “pedra preciosa” o “tesouro” pelo qual se vende tudo para adquiri-los e ter a vida, mesmo que isso acarrete consequências práticas e trágicas.

Paulo poderia confiar na carne, porque fora cumpridor da lei. Faz o seu elogio de cumpridor exemplar, mas, agora tudo isso é esterco diante do conhecimento de Cristo e de Sua Cruz. O que vale agora é Cristo e seu projeto do Reino. Ele quer participar da Paixão, para ter parte na Ressurreição. Agora, diz o apóstolo, o que era lucro para mim, eu o tive como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. A palavra conhecimento é relacionamento íntimo, como o amor conjugal… é comprometer-se como realmente fazem os casais na sua prática de vida.

Este relacionamento com Cristo é o que agora explica a vida e o modo de viver de Paulo. É isso que dá sentido para a vida dele e descobre os verdadeiros valores que qualificam o seu existir. Cristo tem tanto valor, que o resto é resto. É o que também nós desejamos.

O importante é “conhecer o poder de ressurreição de Cristo e a participação nos seus sofrimentos, conformando-se com Ele na Sua morte, para ver se alcança a ressurreição de entre os mortos”. É um “salto” que o passionista deseja dar para unir-se a Jesus.

“Já fui alcançado por Cristo Jesus, mas ainda não sou perfeito”. Estamos sempre a caminho. Quem não continua a converter-se, estagna e retrocede. É algo dinâmico e se prolonga por toda a vida. “Esquecendo-nos do que fica para trás, vamos avançando para o que está na frente. Prossigamos para o alvo” de qualquer ponto ou lugar onde estivermos e no qual tivermos chegado. Conservemos o rumo, mesmo quando estivermos atrasados. Partimos do ponto no qual nos encontramos, não de um ponto imaginado.

“Sede meus imitadores. Há aqueles que, repito chorando, são inimigos da cruz de Cristo. Seu deus é o ventre, sua glória, o que é vergonhoso”. É necessário colocar Deus em seu devido lugar, como o Absoluto da vida, sabendo equilibrar todas as nossas forças e desejos. Estamos sendo questionados sobre a centralidade de Jesus na nossa vida e no nosso agir.

“Esperamos ansiosamente Jesus Cristo, que transfigurará nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso”. A esperança, a meta, supera todas as expectativas e vale a pena avançar com Cristo e arriscar a vida com Ele. Esperamos bem mais do que a copa do mundo de futebol.

Como rezar o texto?

Agora deixe de lado Paulo e conecte-se pessoalmente com o Cristo e o Cristo Crucificado. Como você foi alcançado por Cristo e se deixou agarrar por Ele? Quando aconteceu esta unificação de vida com Ele? Você deseja realmente experimentar esta unificação tanto na Paixão como na Ressurreição?

A experiência de Paulo foi uma revirada de vida. Quando perseguia os cristãos, ele via Deus e o mundo com os olhos de fariseu. Perseguia Cristo e os cristãos. Ao cair por terra (At 9) ele ficou cego e foi levado para Damasco. Passou a não ver mais nada como fariseu, pois nada mais via. Ao receber o batismo, recuperou a vista, mas, agora via tudo com os olhos de Cristo. Virou cristão, virou um cristo: “Meu viver é Cristo”. “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”. Como eu vejo Cristo, a mim mesmo, os outros e o mundo?

Considere agora qual é a sua paixão, a sua cruz e como você pretende estabelecer sua Páscoa com Jesus a partir de sua cruz, de sua paixão. Jesus fez a Sua Páscoa partindo de Sua Paixão. Em união com Ele, nós podemos celebrar nossa Páscoa a partir de nossa paixão. Entramos com Cristo na morte para com Ele experimentar a ressurreição. Aqui devemos levar em conta que a Paixão de Cristo foi experimentada e vivida porque Ele tinha um projeto concreto para levar adiante no mundo. Ele não queria sofrer, mas, entrou no sofrimento porque nos tinha no seu coração e desejava nos tirar do poço profundo no qual jazíamos ou jazemos ainda neste mundo. Ele tinha o projeto do Reino de justiça, verdade, fraternidade, paz, alegria e esperança para todos nós. Ele tinha motivações… entrou na morte para garantir vida.

Se quisermos apenas fugir da dor ou se pensamos apenas em sofrer ou nos salvar sozinhos, poderemos não estar unidos com Cristo como Paulo. Não podemos dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”. Pense aqui como você foi “alcançado por Cristo” e como foi agarrado por Ele.  Não se perturbe se ainda não é perfeito, como Paulo reconhece pessoalmente, mas, continue “mantendo o rumo” para frente. Esqueça o que ficou para trás e vá para frente. Mas, não deseje apenas sofrer como Jesus. O sofrimento em si não vale nada. Vale o amor, vale o porquê.

O final do texto mostra como os filipenses estavam pensando mais em si mesmos do que em assumir Cristo, Suas atitudes e Seu projeto. Pensavam no comer (ventre), em coisas vergonhosas (sexo?) etc. Não tinham entendido o poder transformador da união com Cristo e sua graça. Mantinham-se centrados em si mesmos e nos seus interesses pessoais. Não tinham entrado em Cristo e se misturado com Ele na Morte e na Ressurreição. Contentavam-se com o esterco. E você se contenta com o lixo ou persegue a Páscoa do mundo com Cristo?


PERGUNTAS:

  • Como Cristo orienta seu modo de viver, pensar e trabalhar?
  • Como você vai alcançando sua páscoa na sua própria paixão?
  • Como seu projeto de vida se misturou com o projeto de Jesus?

Por Pe Eugênio João Mezzomo, CP
Missionário Passionista