Artigos da congregação
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TOMANDO A PRÓPRIA CRUZ

Texto: Mc 8,34-38: “Tomar a SUA cruz e seguir Jesus.”

2. TOMANDO A PRÓPRIA CRUZ1No Documento de Aparecida, os bispos nos convidam a ser “Discípulos e Missionários”. O discípulo segue o mestre e assume a mesma luta, que, no caso, é a opção pelo Reino. Queremos JPIC (Justiça, Paz, Integridade da Criação). Buscamos o Reino de Deus e sua justiça, esperando ter o mais como acréscimo. Acruz só toma sentido se visa o Reino de Deus e sua justiça. O sofrimento em si não tem sentido.

Ultimamente descobrimos que essa luta continua fazendo mártires: Dom Romero foi assassinado, não por ser bispo, mas por causa de sua luta pela justiça.  Assim também Martin Luther King. Não foi morto por ser protestante. Mandela foi encarcerado por causa de sua defesa dos negros, não por sua religião. Gandi, Chico Mendes, Dorothy Stang… E eu seria perseguido por qual motivo? Como é minha cruz nesta luta?

Estas pessoas viveram o cristianismo na prática. A Igreja valorizou as atitudes martiriais. Até pouco tempo, a missa era rezada num altar com pedra d’Ara, que só tinha relíquias de mártires, não de qualquer santo. Celebrar a missa é testemunhar com a vida, correr perigo por causa da luta pela justiça. Como é que nos desviamos desse caminho? Passamos a crer que quanto mais sofrêssemos, mais santos ficaríamos

O caminho perdeu o rumo quando o Imperador Constantino deixou de perseguir os cristãos. Os monges se retiraram para o deserto para lá viver o martírio pessoal. Começaram a “imitar Cristo” numa “morte espiritual” ou morte mística, pela observância, às vezes farisaica, de regras (Cf. O Deus Crucificado, p. 84ss, de Juergen Moltmann). Começaram “a fazer suas as penas de Jesus” (Cf. Diário de Paulo da Cruz, dia 27-11). Começaram a abandonar a própria Cruz e pegar a de Jesus, como fez unicamente Simão Cirineu. Começaram a “sofrer as dores” de Jesus: celibato, pobreza, abandono do lar e uma vida de fuga dos problemas do mundo. O itinerário para Deus mudou. O projeto JPIC desapareceu. Passou a valer um “martírio monástico individualizado e baseado na “fusão de penas”, não na luta pelo Reino. O itinerário agora é a “busca da perfeição” individual e formaram-se os “institutos de perfeição”, de santidade pessoal ou individual. A Paixão de Cristo se tornou mera devoção, esquecendo a Páscoa e a Ressurreição. A busca da Justiça foi esquecida.

Da meditação da Paixão, passa-se, pela contemplação, à Via Crucis, fazendo que o próprio sofrimento de Jesus fosse o nosso próprio sofrimento. Eckart e Tauler criaram a Via Compendii, onde a fusão da alma com Cristo é o caminho mais curto para o nascimento místico de Deus na alma. A “meditação da cruz” leva a experimentar a escuridão da morte” e, na conformidade da cruz, a alma adquire a forma de Deus. Passa-se do padecimento para a glória. E a cruz pessoal de cada um foi substituída pela de Cristo.

A conformidade com a cruz de Cristo não é negativa, se bem entendida. Santo Inácio a ensinou em seus retiros. Paulo Apóstolo nos diz: “Fui crucificado junto com Jesus. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,19-20). Mas, isso significa a CONFORMIDADE com o projeto de Cristo e sua vontade. Paulo da Cruz não quer “nem  sofrer nem morrer”, mas a VONTADE DE DEUS. O Apóstolo combate, neste texto, aqueles que supõem que se salvam pela observância da lei e estabelecem a Teologia da Glória. Salvam-se pelas obras e desprezam a Teologia da Cruz.

Agora estamos retomando o caminho e retomando nossa cruz pessoal para ir atrás de Cristo. Somos convidados a ser missionários do Reino com Jesus, procurando a páscoa de cada um e mesmo a páscoa do mundo. Jesus foi assassinado por causa de suas opções, que eram, e muito, políticas e sociais, além de religiosas. Ele não espera imitação de sofrimentos e penas, mas que assumamos as lutas, as opções, as causas do Reino, que Ele veio inaugurar na terra. Espera que sejamos corajosos e, como ele, não tenhamos medo das consequências de nossas opções pela paz, solidariedade, justiça, verdade etc.

Como você pode rezar isso? Peço que você leia o texto e reze com Jesus. Tenha-o como interlocutor. Escute de novo suas palavras e pergunte para ele qual é a SUA cruz. Não se contente em pegar a cruz de Jesus, como Cirineu. Pegue a sua para seguir Jesus. Deixe Cristo carregar a Cruz Dele. Ele disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos…”(Lc 23,28). Não precisa chorar por Jesus. Ele não precisa disso. Chore por você. Nem precisa chorar por Nossa Senhora das Dores, que nem mais está sofrendo pessoalmente. A quem chora, se emprestam ou se doam lenços. O choro, a compaixão, a santa indignação devem nos levar a agir para fazer acontecer o Reino e a libertação da Páscoa.

Eugênio João Mezzomo, CP

 

PARA REFLETIR

 

  1. Qual é a sua cruz? Se não tiver cruz, você pode estar sem Jesus.
  2. Por que motivo, o mundo de hoje mataria você?
  3. Tomando a sua Cruz, a quem você decide seguir e a quem deseja libertar?

 

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Escrito por Província do Calvário

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