“Todas gerações me chamarão de bendita” (Lc 1,48).

mother1-6bO papa Francisco escreveu há pouco um documento intitulado: “A alegria do Evangelho”. Nesse documento, o papa enfatizou que o encontro verdadeiro com Deus, na Pessoa de Jesus Cristo, gera alegria; uma alegria que se renova e se comunica constantemente, fazendo acontecer a evangelização. Ele lembra ainda que a certeza, que não apaga jamais essa alegria, é a de que “somos amados por Deus” e são os pobres, pela condição de fé, generosidade e simplicidade, os que mais testemunham essa alegria verdadeira. Nessas palavras do papa, é impossível não enxergar aquela que a ladainha popular invoca como: “causa da nossa alegria”, Maria Santíssima.

Os Passionistas divulgam mais as dores de Maria, por causa da sua espiritualidade e carisma, mas não significa que não propaga as suas alegrias, pelo contrário; no mistério pascal, dor e júbilo se unem num único mistério, como expressão da vida humana e para proclamar a salvação trazida pelo Filho de Deus.

Nossa Senhora das Dores é a padroeira principal dos Passionistas, mas a Mãe da Santa Esperança é outro título de Maria, também venerado por nós, pois nos aponta os frutos da Paixão do Senhor: a vida em abundancia para todos, que brota da sua cruz.

Eis outros pontos significativos que apresentam Maria, como portadora da alegria de Deus:
O Novo Testamento se inicia com o convite do anjo à Maria: “alegra-te”. O Senhor lhe confiava uma grande missão, nela habitava a plenitude da graça, a presença e o amor fecundo de Deus…; o Messias esperado, dela nasceria (Lc 1,28-35).

Na visitação, a alegria foi abundante: João Batista saltou no ventre da mãe, Isabel cantou um bendito: “Bendita és tu entre as mulheres, bendito é o fruto do teu ventre, bendita és tu que acreditaste…” (Lc 1, 40-45) e Maria proclamou a razão de tamanha felicidade: “O Senhor fez em mim maravilhas… Elevou a pequenez de sua serva, dispersou os soberbos, encheu de bens os famintos, despediu os ricos sem nada, lembrou-se de sua misericórdia estendendo-a de geração em geração…” E profetizou: “De hoje em diante as gerações me chamarão de bendita” (Lc 1, 46-56).

A palavra “bendita” significa feliz e não se trata de uma felicidade qualquer, mas está fundamentada principalmente em Deus, na obediência à Sua palavra: “Benditos os que escutam a Palavra de Deus e a colocam em prática” (Lc 11, 27-28) e, na fé, capaz de resistir até nos momentos mais difíceis e dolorosos da vida.

A Igreja reconheceu cedo essa exultação em Maria. As primeiras homilias já destacavam o cântico do Magnificat. No séc. II um escrito de Melitão de Sardes, sobre o júbilo pascal, dá o título de “ovelha sem mancha”, a Maria. No séc. III, encontramos a mais antiga das orações marianas, “a vossa proteção”, concluindo com a palavra “bendita”: Mas foi a partir do Concílio de Éfeso (431), que o seu culto se desenvolveu cada vez mais e sua alegria passou a estimular a vivência do Cristianismo.

Assim, são significativas as expressões do povo: Cantando benditos nas procissões em honra de Maria, enfeitando de luzes e cores seus andores, visitando em massa seus santuários, enchendo igrejas nas suas novenas, ladainhas e rosários… Chorando com ela na sexta-feira santa e coroando- a rainha, no final de cada mês de maio.

Que Maria nos ensine a sair das muitas “quaresmas intermináveis” (papa Francisco) e nos ensine a cultivar a alegria pascal, nas lutas de cada dia. Nossa Senhora da Alegria, rogai por nós.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP
Superior Provincial