Anunciamos Cristo Crucificado, força e sabedoria de Deus. (2 Cor 1,23)

cruz-palavraDificilmente alguém mostra suas fraquezas, embora nem sempre as consiga esconder. A força humana, que possuímos interiormente, não é suficiente para vencermos os desafios da vida porque somos dependentes, uns dos outros, nas necessidades físicas, psíquicas e espirituais. A força verdadeira, que nos mantém em pé e no caminho, vem de Deus: “Tudo posso Naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Quando rezamos a afirmação do apóstolo Paulo, “anunciamos Cristo Crucificado, força e sabedoria de Deus” (2 Cor 1,23), certamente nos vem uma profunda inquietação e nos perguntamos: como buscar força e sabedoria naquela que é o ícone da morte mais atroz? Não seria melhor buscar força na Ressurreição?
Realmente, na cruz não há fortalecimento. Ela é o símbolo do mal e não deve ser buscada por ninguém. Sua força é destruidora e nada estimulante. O poder exterminador da cruz tem deixado marcas indeléveis nos campos de guerra, nos sistemas políticos injustos, nas estruturas que marginalizam, oprimem e matam… As armas avassaladoras têm sido o ódio, a insensibilidade e a ganância.

O impulso revolucionário está no Crucificado e não no madeiro. É Jesus que deu sentido à cruz quando deixou-se crucificar nela e, por isso, nos pediu que façamos o mesmo, para evitar que ela nos arraste e nos esmague (Lc 9, 23-24). A cruz vem ao nosso encontro, como foi ao encontro de Jesus quando Ele assumiu a condição humana, se fazendo solidário com a nossa pequenez (Fl 2, 5-11). E se intensifica na medida em que assumimos as opções de Jesus (Mt 5, 3-12). Tomá-la ou abraçá-la é a atitude de quem descobriu verdadeiramente o que é AMAR: “… amou-os até o fim” (Jo 13,1).

Dessa forma, a Palavra da cruz, se torna testemunho onde a força e a sabedoria se manifestam em ações libertadoras e, o Crucificado, se torna a compreensão de que somos continuadores e atualizadores da sua situação, cuja Paixão injusta reclama Redenção. O olhar para Ele sempre dirá que não fomos esquecidos por Deus, pois o Pai olha para nós da mesma maneira que olhou para seu Filho na cruz.

Estamos no mês da Bíblia e no dia 14 de setembro celebraremos a festa da Exaltação da Santa Cruz. Estas são grandes oportunidades para escutarmos o que Deus tem a nos falar em Jesus Crucificado. Uma coisa é certa e nós, Passionistas, jamais cansaremos de afirmar que essa Palavra “é viva e eficaz; mais afiada que qualquer espada de dois gumes, penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos” (Hb 4,12). Haverá Palavra com mais poder do que essa?

Portanto, não há razão para esconder o que somos, pois, se a nossa vida for entrega e doação, como foi a de Jesus, nossas fraquezas sempre serão fortalecidas e nossas debilidades superadas. A proclamação de que, quando somos fracos é que somos fortes (2 Cor 12, 10), significará exaltar a cruz na perspectiva da Ressurreição, desejando viver e manifestar a totalidade do amor de Deus.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP