“Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”. (1 Cor 9,16)

 

O-semeador Antes de subir aos céus, Jesus deu à Igreja um último mandato: “Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Nessas palavras de Jesus, vemos que não há lugar para uma fé intimista e nem acomodada, pelo contrário, no convite do Senhor: “Vinde e vede” (Jo 1, 39), também já está incluído o “ir” para fazer novos discípulos (Jo 1, 40-45).

A Igreja, “uma vez peregrina, tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai” (AG 2). Ser missionária não é, para ela, um privilégio, nem uma simples prerrogativa, mas a sua própria razão de existir.

A vocação missionária nasce no batismo, quando “o amor infinito de Deus, enche o coração do cristão de alegria, uma alegria que se comunica e ao comunicá-la ele se faz missionário, evangelizador da vida e da esperança” (Evangelii Gaudium). O encontro com o amor de Deus que transforma e dá sentido à vida humana é, então, a razão do “ir” ou “sair”, na busca do outro, para levá-lo a fazer esta mesma experiência pascal, especialmente os sofredores, os abandonados e os que já perderam a razão de viver.

Olhando para os primórdios da Igreja nos maravilhamos com seu dinamismo missionário: A cidade de Antioquia como o ponto de partida para o Cristianismo (At, 13, 1-3); o Concílio de Jerusalém proclamando o universalismo da fé cristã (At, 15, 6-29); os apóstolos, partindo para outras terras, impulsionados pelo Espírito Santo (At 8,25.40;15,7;16,10); Paulo, fundando comunidades alicerçadas na fé, na esperança e na caridade de Cristo (Rm 15,20). Trata-se de um Cristianismo alicerçado no ágape e sustentado pela oração, pela fração do pão, pela palavra, pela partilha dos bens, pela solidariedade para com os pobres e pela comunhão fraterna (At 2,42-47; 4,32-37).

A Igreja, ao longo desses dois mil anos, nem sempre conservou esse ideal missionário. Mas nem por isso perdeu a sua missionariedade. A evangelização dos povos sempre ocupou longas páginas dos documentos pontifícios; organismos eclesiais, sobretudo nos últimos tempos, tem buscado agilizar e facilitar a entrada de missionários (as) em terras além fronteiras, em lugares de risco e em culturas aonde o Cristianismo ainda não chegou. Mas nenhuma marca tem sido tão forte como o sangue que tem regado o chão dessa história; dos profetas de ontem e de hoje, sinais da presença viva do Senhor, que não abandona o seu povo (Mt 28,20) e de uma Igreja que não se deixou vencer pelo medo e pela omissão.

Várias Congregações religiosas fazem parte dessa história missionária, surgiram apontando lugares e situações que mais precisavam de cuidado e da vivência profunda do amor de Deus. Entre elas, a Congregação da Paixão de Jesus Cristo, fundada por São Paulo da Cruz, que ao longo de 294 anos (1720 – 2014), vem buscando dar visibilidade ao carisma recebido do seu fundador. Certos de que a Paixão de Cristo é a maior manifestação do amor de Deus pela humanidade, o passionista vai moldando seu jeito de ser e de fazer, segundo o amor Crucificado, mostrando que “Missão” é a inclusão do homem e da mulher no plano salvífico de Deus.

Encerrando esse mês missionário, que tal fazermos um exame de consciência e pensarmos: Como anda a minha vocação missionária? Dom Hélder Câmara nos lembra que a Missão tem início quando decidimos “sair da crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu e deixamos de dar voltas ao redor de nós mesmos, descobrindo que a humanidade é maior”.

Aqui fica o convite para você, jovem, que está descobrindo a sua vocação: Venha fazer parte dessa família religiosa que tem um carisma missionário, OS PASSIONISTAS. Outros jovens, como você, já deram uma resposta positiva ao chamado de Deus. Só não diga, mais tarde, que você ficou esperando e ninguém te convidou para trabalhar na vinha do Senhor.

 

Pe. Amilton Manoel da Silva

Provincial