“Buscai o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será dado como acréscimo”
(Mt 6,33)

Jesus CristoNa modernidade, somos impulsionados por estímulos, desejos e exigências. Diante de propostas alternativas de viver bem, sentimo-nos fragmentados e incapazes de discernir entre o que tem valor e os muitos engodos gratuitos, sem importância.

Às vezes acertamos nas escolhas, outras vezes não, só erramos. Mas temos que assumir as consequências dos nossos atos, seja por livre decisão ou imposição. Uma coisa é certa, somos insaciáveis, sobretudo, quando se trata de buscar a realização pessoal, êxito e reconhecimento. Nossas buscas vão de uma simples comodidade, no dia a dia, até a exposição explícita dos nossos desejos e sentimentos. Na verdade buscamos a felicidade…

Teilhard Chardin diz que a felicidade existe e é um fenômeno humano as pessoas se esforçarem para consegui-la, porém nessa busca há 03 classes de pessoas: Os fatigados: que vivem cansados. Não colocam suas potencialidades em movimento, contemplam a montanha de longe. “Estou bem aqui.” E aí permanecem. Os folgadões: estes compreendem o caminho. “Irei ao topo da montanha”. Mas, percorrido certo trecho, acabam por encontrar água e sombra. “Está bom aqui. Por que ir ao topo da montanha?” E aí permanecem. Os corajosos: são os que se propõem a escalar até o alto da montanha e “não arredam o pé”, não desanimam e não se dão por satisfeitos. Sentem que a felicidade é resultado do esforço de nossa parte.

Jesus nos ajudou na busca da felicidade quando afirmou ser o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). Sua existência foi uma denúncia do tempo que perdemos com futilidades e do ilusório que, constantemente, abraçamos no lugar do essencial (Lc 12, 22ss). Seu jeito de se posicionar frente à vida, foi a proclamação de que, para se viver bem, não há necessidade de muitas coisas, basta uma só, escolher a melhor parte, como Maria (Lc 10,42), que é o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33).

São Paulo da Cruz compreendeu essa mensagem na contemplação do Calvário. Para ele, ali houve uma síntese de como viver “no” e “para” o essencial: o AMOR. Em Jesus Crucificado ele viu um valor real e eterno, para onde todo o ser humano deve convergir (Jo 12,31). Paulo, pelas opções que fez depois dessa descoberta, afirmou com a vida, que os outros “valores” são transitórios, “onde a traça e a ferrugem corroem” (Mt 6,19). Só em Deus e em seu amor, empenhados na construção do seu Reino, é que poderemos encontrar a alegria de viver e a razão de ser feliz.

Para entender melhor: Deus é o valor absoluto e a felicidade está condicionada à vivência dos seus mandamentos. Assim como a sombra está condicionada à árvore, a felicidade está ao abrigo da sombra dos valores (Deus).

Quem encontrou essa fonte existencial pode dizer como Saint-Exupery, em O pequeno príncipe: “O resto é resto”, ou como Victor Frankl, na logoterapia: “A felicidade é decorrência de algo. Deve-se ter uma razão para ser feliz. Uma vez que a razão é encontrada, a pessoa fica feliz automaticamente”.

Conscientes de que o essencial é Deus, seu Reino e sua justiça, não nos cansemos de repetir com o salmista: “A minha alma tem sede de Deus e deseja pelo Deus vivo” (Sl 42, 2).

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP