“E Maria deu à luz o seu Filho primogênito. Ela o enfaixou, e o colocou na manjedoura…” (Lc 2,7)

presepioO Ano litúrgico, na Igreja, tem início com o período do Advento que corresponde às quatro semanas que antecedem ao Santo Natal. Este tempo litúrgico de preparação para o nascimento do Filho de Deus, que veio habitar entre nós, nos convida a preparar os corações e rever a nossa vida cristã.
Uma forma de externar aquilo que acontece no nosso íntimo é a utilização dos símbolos natalinos. Se por um lado, a sociedade de consumo tem utilizado vários deles, para fins lucrativos e interesse próprio, podemos reverter esse quadro, dando um significado litúrgico, sobretudo, àqueles que mais expressam o mistério que se dá a conhecer. Um desses símbolos é o PRESÉPIO.
São Francisco de Assis foi o grande idealizador do presépio. Conta-se que ele, voltando da Terra Santa, no período do Natal, depois da tentativa de conciliar cristãos e mulçumanos, encontrou uma gruta na região de Greccio e teve a inspiração de ali representar a cena de Belém.
Tomou, então, alguns animais e algumas pessoas e com eles fez a representação dos acontecimentos narrados no evangelho de Lucas, sobre o nascimento de Jesus Cristo. Desde então, o presépio vem sendo difundido por todo o mundo, elaborado de distintas formas e tem assumido características culturais diversas.

O que o presépio não é:
1. Um objeto de decoração que colabora com o brilho das festas natalinas.
2. Um jeito de simplificar ou “romantizar” o mistério.
3. Uma forma de suscitar a nostalgia dos natais passados e das pessoas queridas, ausentes.
4. “Mais um” símbolo natalino a expressar a beleza da festa ou o ano que se finda.

O Presépio é:
1. Um símbolo mistagógico. Porque possibilita às pessoas e, sobretudo, aos cristãos, não apenas visualizarem um fato histórico do passado, mas vivenciarem o mistério da salvação, cuja centralidade é Jesus Cristo, Deus humanado.
2. A manifestação do pleno amor: Pois, “Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho único…” (Jo 3,16). O amor do Pai se tornou visível na Encarnação do Filho. Deus se dá como amor e espera uma resposta amorosa. Afinal diz o ditado popular: “Amor com amor se paga”.
3. Uma profissão de fé: Num Deus onipotente, mas que também se faz dependente, frágil, necessitado do carinho e do cuidado de pessoas humanas, reduzido à condição de pedir o nosso amor.
4. A vitória da luz sobre as trevas: Num mundo envolto nas trevas do ódio, da violência, das injustiças, da exclusão, etc. A luz vem ao mundo: Cristo, e quer iluminar todos os homens e mulheres, para dar-lhes um sentido de viver e arrancar o mundo da escuridão.
5. A elevação do ser humano. Deus se fez solidário com a nossa natureza humana, assumindo-a apagou nossos pecados, restaurou-nos, elevou-nos à condição de filhos e herdeiros do céu. “Deus se fez homem para que o homem se fizesse Deus”. (Santo Agostinho)
6. A proclamação da vida. Aquele que nasceu, veio “para servir e não ser servido” (Mt 20,28), e este serviço é “para que todos tenham vida e vida em abundância”. (Jo 10,10)
7. A linguagem dos pobres: Cada personagem fala por si mesmo, proclamando: a Sagrada Família, o despojamento e a acolhida da Vontade Divina; os pastores, a alegria de receberem por primeiro a “boa nova da salvação” (Lc 4, 18); os magos a pequenez do ser humano, que se inclina em total dependência diante de Deus e lhe dá seu presente maior: a própria vida.
8. Natal/Páscoa. “Natal é nascimento, Páscoa é ressurreição, tudo é vida; dois mistérios que apontam a mesma realidade ou um único mistério em duas formas de acolhimento e adoração” (São Paulo da Cruz). Nos últimos anos, os liturgistas tem sugerido que, na noite de Natal, a entrada da imagem do Menino Jesus seja acompanhada do Círio Pascal.

Poderíamos elencar muitos outros significados litúrgicos do Presépio, mas creio que esses sejam suficientes para que não o montemos de qualquer jeito em nossas Igrejas e em nossas casas, e que não passe despercebido esse símbolo, importante para a fé cristã, que traz Deus para junto de nós e que nos faz sentir tão próximos do céu.
Ao montar o seu presépio, reze em cada etapa da montagem, lembrando-se das pessoas que ainda não conhecem Jesus Cristo ou que celebram o Natal como uma festa, entre outras, ou um feriado para o descanso. Esse simples gesto será a sua mais bela contribuição na melodia universal, que um dia uniu o céu e a terra em uníssono para cantar: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e as mulheres de boa vontade”. (Lc 2,14)
Bom tempo de Advento! Feliz e Santo Natal!

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP