Caminhos do Ano NovoEstamos concluindo o período litúrgico do Natal e o ano de 2016 já teve início. Os dias festivos se passaram, os parentes e os amigos já se distanciaram, a vida voltou ao seu ritmo normal…

Feliz Ano Novo! Talvez tenha sido a saudação que mais ouvimos nesse período e, quase sempre, partiu das pessoas que amamos; um desejo profundo de que esse ano seja melhor do que o ano que se findou, e que a alegria prevaleça sobre as dificuldades e os desafios. Mas de quem depende essa felicidade?

Do mundo? O mundo vive uma profunda crise econômica, política, religiosa e cultural. A busca exagerada do poder e a ânsia das pessoas em satisfazer as próprias vontades, custe o que custar, tem levado a humanidade a desacreditar que dias melhores virão. Sem falar das ameaças de grupos opressores e de extermínio, que tem banalizado a vida e feito vítimas muitos inocentes… Se esperarmos a felicidade vir daí, poderemos nos frustrar…

Das pessoas? Elas poderão nos ajudar, “dar uma forçinha”. Poderão partilhar conosco os sentimentos e as emoções, serem presença e companhia nas horas difíceis, solidárias e compreensivas nos momentos cruciais, poderão até nos proporcionar momentos lúdicos e descontraídos, mas não poderão nos colocar no pedestal da felicidade, uma vez que cada pessoa tem a sua vida e suas ocupações…

De Deus? Muito! Deus é o autor da vida, dele saímos e para Ele voltaremos, Seu amor nos sustenta e nos fortalece em todos os momentos e circunstâncias, mas esperar que Ele mos dê à felicidade numa bandeja seria devolver a Ele aquilo que Dele recebemos: o livre arbítrio, a capacidade de decidir e de amar, e a inteligência. O apóstolo Paulo quando pediu ao Senhor que afastasse dele um “espinho da carne”, ouviu a resposta “Para você basta a minha graça” (2Cor, 12, 9). É como se o Senhor dissesse: “Eu resolvo a metade dos seus problemas, a outra metade você deve resolver, porque te capacitei”.

De mim? Totalmente. Ninguém pode viver a minha vida, nem decidir por mim. Sou responsável pelas minhas escolhas e pelas consequências que virão. Sempre terei liberdade para escolher as sementes a serem lançadas na terra, mas terei que aceitar os frutos que cada uma delas produzir.

Posso enganar as pessoas, ignorar o que não gosto, relativizar até mesmo o essencial da existência, mas não poderei mentir para aquele (a) que me olha no espelho. Chega um momento que não poderei adiar a resposta diante da pergunta: “Que sentido estou dando à minha vida?” É aqui que se inicia o caminho da felicidade…

A felicidade não pode ser buscada. Precisa ser decorrência de algo. Deve-se ter uma razão para ser feliz. Uma vez que a razão é encontrada, a pessoa fica feliz automaticamente. Dom Valfredo Tepe, no livro: “O sentido da vida”, vai afirmar que “quem procura avidamente o prazer, a alegria e a felicidade como objeto da vida, ficará frustrado”.

Felicidade é gastar energia e potencialidades que a vida oferece para conquistar valores e servir melhor à causa da transformação do mundo. E essa transformação não é a construção de computadores, satélites, etc., mas a transformação do ser humano. Quem se transforma, transforma o mundo.

 

Assim como a sombra está condicionada a árvore. A felicidade está ao abrigo da sombra dos valores que vamos conquistando durante a existência. Quanto mais valores, maior a felicidade e vice-versa.

Nesse aspecto é bom lembrar o ditado popular: “Não acusemos o mundo de não ser bom. O mundo não é melhor, porque não nos tornamos melhores”.

 

Feliz Ano Novo!

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP