1_0_800858“Um discurso programático, ressonância fiel do Vaticano II, que pede uma viravolta e convida a abrir-se à profecia do Evangelho segundo a perspectiva da Evangelli gaudium. Uma contextualização desta exortação feita com inteligência e amor.” Com essas palavras, o professor de Teologia Sistemática do Instituto Universitário Sophia, de Florença – centro-norte da Itália –, Pe. Piero Coda, comenta as palavras do Papa dirigidas nesta segunda-feira aos bispos italianos, na abertura de sua 66ª Assembleia Geral.

Francisco quis também ressaltar que a presidência dos bispos italianos é composta somente de “homens do Papa”, aludindo à imprensa que havia falado de divisões, comenta o teólogo.

Foi uma sutil exortação aos jornalistas, convidados a usarem chaves de leitura mais profundas, mas também uma sutileza em relação aos bispos, “como se lhes dissesse que não é fundamental “ser para o Papa”, mas “radicados no essencial e, juntos, seguir Jesus”.

Substancialmente – prossegue o teólogo –, o Papa Francisco impeliu os bispos italianos a voltarem ao essencial, ao significado profundo de sua missão e da missão de todo o povo cristão.

“Um convite forte a não ceder à tentação de uma programação pastoral, ou de uma leitura dos impulsos provenientes da sociedade, numa chave unicamente funcionalista, mas a irem diretamente ao essencial, deixando-se transformar pelo olhar de amor que Cristo nos dirige.”

“Francisco convidou-os a passarem de uma espiritualidade a uma pastoral do essencial. Portanto, não uma pastoral de conservação, cansada, repetitiva, medíocre, mas uma pastoral que se abra à ação do Espírito Santo e anuncie e testemunhe, com gestos proféticos, aquilo que é essencial no Evangelho e na vida de cada pessoa humana.”

“O Papa chegou a dizer que a missão do bispo é ser ‘sacramento’ de unidade, ou seja, favorecer no âmbito de toda Igreja local a participação, a co-responsabilidade, a escuta do povo de Deus e tecer relações de qualidade entre os bispos tornando-se fermento de unidade e reconciliação no tecido martirizado da nossa sociedade e sendo os primeiros a acolher os excluídos da vida social, como os desempregados e os imigrados.”

“Francisco – conclui o teólogo Coda – ressaltou também qual deve ser o estilo do pastor na Igreja. Um estilo cuja medida é o homem das bem-aventuranças. Portanto, uma Igreja que não tem no centro estratégias, formas de poder ou privilégio, mas uma Igreja humilde, pobre, que se coloca ao lado dos que sofrem.”

“O bispo não está no vértice de uma pirâmide, mas é um guia que se coloca diante de seu rebanho, mas também atrás e igualmente no meio de seu rebanho. Não o bispo príncipe, mas o bispo servo da unidade e da comunhão.”

Por Rádio Vaticano