“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi…” (Jo 15,16)

seguemeO mês de agosto, no Brasil, é dedicado às vocações. Momento especial em que paramos frente a nossa vocação e procuramos aprofundar a beleza e a importância das várias vocações, para a Igreja e a sociedade. O tema tem sido bastante explorado, mas vale a pena conversar um pouco mais sobre vocação.

No plano de Deus todos somos chamados e amados como filhos queridos, e todos temos uma missão a desempenhar neste mundo. Se não respondermos ao nosso chamado e deixarmos de fazer a nossa parte, ninguém responderá por nós e ninguém fará por nós aquilo que deixamos de fazer. Assim podemos dizer que a nossa vida é um dom e uma responsabilidade.

A vocação não pode ser confundida com profissão. No cerne da vocação está o amor, o serviço e a gratuidade, sem se preocupar com as “horas extras”, remuneração e aposentadoria. Na profissão o que vale é a aptidão pessoal para exercer um determinado trabalho, preocupa-se com o ter, o salário e as horas de trabalho. A profissão tem sentido quando é exercida com amor. A vocação testemunhada com fidelidade inspira o exercício da profissão; é um caminho de santidade.

Nem sempre descobrimos com facilidade o projeto de Deus para as nossas vidas. Um exemplo disso é São Paulo da Cruz. Ele foi um jovem inquieto com relação a sua vocação. Aos 19 anos prometeu servir a Deus por toda a vida, mas não sabia como. Aos 26 anos de idade deu início a uma Congregação religiosa (Os pobres de Jesus) e que depois tomou outro rumo. Foi ordenado presbítero com 33 anos e somente aos 47 anos fez a sua profissão religiosa, depois da aprovação das regras, pelo papa Bento XIV. Viveu até os 81 anos lutando para ser fiel à vontade de Deus.

Assim vemos que a vocação é uma resposta pessoal, consciente e livre ao chamado de Deus; uma maneira especial de viver o amor, seguindo a Cristo e fazendo o bem a todos. Os caminhos para viver essa opção são diferentes: o matrimônio, o sacerdócio, a vida religiosa consagrada, a vocação missionária, a laical comprometida com o Batismo…

Quando encontramos a nossa vocação, não só nos transformamos, mas também transfiguramos as pessoas e o mundo; a vocação acertada gera uma satisfação e realização interna que transborda para todos os lados. É o que Jesus chamou de fermento, sal e luz, na dinâmica do Reino (cf. Mt 5, 13-16.13,33)
Uma boa proposta vocacional é a vida consagrada passionista. Somos missionários: religiosos, irmãos e sacerdotes (fazem parte também da família passionista: monjas, religiosas e leigos). Fazemos do Mistério Pascal o centro das nossas vidas, anunciando ao mundo a Paixão de Cristo como a maior e mais estupenda obra do amor divino. Essa força revolucionária impulsiona o nosso viver e nos faz investir na vida, em todos os sentidos, porque essa foi a missão de Jesus Cristo.

Desejo que este mês vocacional seja marcado pela escuta, obediência e disponibilidade, tanto para aqueles que já descobriram e estão vivenciando a sua vocação e, sobretudo, para aqueles que ainda estão discernindo o convite de Deus. Para todos vale o lembrete: quanto mais abertos e disponíveis estivermos ao chamado vocacional, mais seremos os autores e protagonistas da nossa história.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP – Provincial