“Assim acontece com quem nasceu do Espírito…” (Jo, 3, 8)

Mais uma vez estamos celebrando a solenidade de Pentecostes. Com o Natal e a Páscoa, Pentecostes forma a tríade principal do ano litúrgico e da nossa fé cristã.

pomba-branca-27Dessa forma, a Igreja nos convida a cada ano a nos abrir “a um novo sopro do Espírito”, onde Deus, “por pura graça, atrai-nos para nos unir a Si, enviando o seu Espírito aos nossos corações, para nos fazer seus filhos, para nos transformar e nos tornar capazes de responder com a vida ao seu amor” (Evangelii Gaudium).

Nesta reflexão, quero apontar alguns dados, sem aprofundá-los como merecem, mas que confirmam a presença do Espírito Santo na Vida Religiosa Consagrada Passionista, dando sentido à nossa vocação e missão de sermos “Testemunhas do Calvário” (São João Paulo II).

Quando falamos de Vida Religiosa Consagrada, imediatamente somos remetidos ao seu autor, o Espírito Santo, que tem levado, desde o séc. III do Cristianismo, homens e mulheres, a viverem a radicalidade batismal, no serviço a Deus e ao próximo, consagrando-se em total disponibilidade à Vontade divina.

Assim, os documentos pós Concílio Vaticano II, tem buscado definir a Vida Religiosa Consagrada como “Carisma”, com dois significados: graça especial que o Espírito Santo doa para o bem da Igreja e graça singular concedida ao Fundador (a) e que depois da sua morte passa a pertencer à sua Congregação Religiosa.

Na Congregação Passionista, o Espírito Santo está presente na forma definida pelos documentos pós Concílio, mas também podemos apontar sua visibilidade, na nossa vivência e testemunho de consagrados, sobretudo no voto específico da “Memória da Paixão”.

É o Espírito Santo que nos faz reconhecer os dons recebidos por Deus, para colocá-los a serviço da vida. É Ele que dá o ânimo criativo e a audácia espiritual para apresentarmos a cruz do Senhor, como resposta ao sofrimento humano. Incita-nos à inovação nos métodos, inspira-nos novas expressões e atualiza nossa linguagem na comunicação do amor Crucificado. Já que a linguagem do Amor é universal e a única apta a penetrar os corações.

É o Espírito que nos impulsiona na missionariedade, nos arrancando das falsas seguranças e nos colocando na dinâmica do Reino: servindo, acolhendo, curando… com alegria. Ele nos faz enxergar a Páscoa na morte, a esperança na dor e a vida na esterilidade, fazendo-nos agir de tal forma, que consigamos adentrar o que São Paulo da Cruz desejou que os passionistas e o povo buscassem ser: humanos, profetas, místicos e santos.

Por isso, não podemos celebrar Pentecostes de “qualquer jeito”. São Paulo da Cruz recomendou: “Prepare-se com profundo desprendimento de todo o criado e com total abandono ao beneplácito divino. Permaneça em verdadeira solidão interior, adorando a Deus em Espírito e Verdade, oculto no seu divino seio, sem desejar outra coisa a não ser o seu santo amor e sua maior glória em todas as suas ações.”

Peçamos, ao Pai e ao Filho, o Espírito Santo, apresentando as nossas vidas e incapacidades; e também a humanidade sofredora e carente dos bens eternos…, pois o Senhor prometeu conceder o Divino Espírito aos que lhe pedirem (Lc 11,13). Vinde! Espírito Santo.

Pe. Amilton Manoel da Silva
Superior Provincial