Jesus-SangueO mês de julho se inicia com a festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (01/07), uma comemoração Passionista, que a Igreja estendeu para todo o mês de julho, embora sem muita ênfase nos dias atuais.

São Paulo da Cruz pregou a devoção ao Preciosíssimo Sangue, no seu tempo, mas foi São Vicente Maria Strambi, passionista, que mais se destacou na divulgação dessa devoção, deixando vários escritos e um livrinho devocional para o mês de julho.

“Na Epístola aos Hebreus, a palavra (sangue) aparece 21 vezes e se refere, quase sempre, ao que Cristo derramou. A Epístola mostra os aspectos cultuais, os existenciais, seu alto simbolismo religioso e os vínculos atinentes à vida cristã. Como em Hb 9,1-28 que se refere ao Yom Kippur, o dia da grande purificação, quando o sumo sacerdote aspergia o sangue da vítima pelos próprios pecados e pelos do povo. A reflexão da perícope é vital para a compreensão do drama do Calvário, pois mostra que a oblação do Senhor não foi um ato mágico a produzir determinado efeito, mas que, antes de ter seu sangue derramado, aconteceu algo importante que deu sentido a tamanha oblação.

O sangue de Cristo é sinal de solidariedade. Hb 2,10-18. O Senhor assumiu ‘o sangue e a carne’ para se tornar um de nós e em nosso favor. Ele abraçou a nossa natureza para nos remir. Então, antes de ser nosso Redentor, Ele se fez nosso irmão, formando conosco uma estreita fraternidade entre quem santifica (Cristo), e quem é santificado (os humanos).

O Sangue de Cristo como sacrifício. Hb 9,7. O valor do sacrifício de Cristo, não está no rito como tal, mas na oblação pessoal, livre e consciente. É fundamental, portanto, descobrir a eficácia da Redenção não tanto na versão do sangue, mas na anterior oblação amorosa de Jesus.

O Sangue de Cristo é vida e santificação da Igreja. Por meio desse sangue, e mais ainda, pelo modo generoso como foi versado, ele perdoa os pecados (Hb 9,14) e produz a santificação (Hb 10,29). Trata-se do banho nupcial que embeleza a Igreja para ser recebida, como esposa, por Cristo. A compreensão desse banho embelezador implica a leitura de Ez 16,1-14 e de Ef 5,21-30”. (Pe. Mauro Odoríssio – Haimatologia – artigo de Espiritualidade Passionista).

Ao contemplar Jesus Crucificado e seu sangue derramado, não podemos deixar de evocar os mártires da Igreja, de ontem e de hoje, cujo sangue derramado, tem sido sementeira de cristãos comprometidos com a vida. Sangue que continua a nos apresentar a Paixão de Cristo que continua no mundo: nas guerras frias, ou “em nome de Deus”; nas mulheres agredidas e nas adolescentes mutiladas; nas crianças abusadas e nos jovens viciados; no trabalhador explorado e no desempregado desesperançado; nas famílias divididas e nos idosos abandonados; nos corpos flagelados pelas doenças, injustiças, violência, indiferença… O Sangue de Jesus é ainda oferta e bebida na Eucaristia, que nos alimenta e nos compromete com a criação, que grita em dores de parto, esperando a feliz libertação (Rm 8, 22-23).

Que este mês nos leve a adentrar profundamente o mistério do AMOR divino, cujo sinal visível é o Sangue do Filho de Deus. Como Ele, não tenhamos medo de ofertar radicalmente nossas vidas, afinal, na lógica do Reino, quem perde a vida pelo irmão, este a ganhará definitivamente.

Pe. Amilton Manoel da Silva, CP
Superior Provincial