Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

Foto ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

O Catecismo da Igreja Católica, na sua terceira parte, trata da “Vida em Cristo”; e no artigo 7, reflete sobre as virtudes. A palavra virtude vem do termo virtus, que, na língua latina, significa força. Trata-se não de força física, mas de força interior, moral, assim definida: “A virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem. Permite à pessoa não somente praticar atos bons, mas dar o melhor de si mesma.” (N. 1803).

Quando falamos de moral, de ética, estamos com um assunto que interessa a todos, crentes e não crentes. O ser humano, pois, tem a inteligência para saber o que é bom e honesto; e tem a vontade para poder praticar o bem. É Deus que nos criou assim. Eis porque o mesmo Catecismo afirma que “as virtudes morais são adquiridas humanamente” (N. 1804) e as chama de “virtudes cardeais”. São elas a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.

A virtude é um dom especial de Deus?

Já os antigos filósofos pagãos refletiram sobre essas virtudes, mas há algumas virtudes que são um dom especial de Deus. São as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Essas três virtudes, por um lado, têm uma base humana e, por outro, são possíveis só pela graça de Deus. Começamos pela fé.

Como a vida de cada ser humano é caracterizada pela fé! Eu estou indo para uma cidade que não conheço, mas “tenho fé” nas placas que me indicam o caminho. Eu tenho amigos e acredito neles. Se não acreditasse neles, seriam apenas “vizinhos” e não “amigos”. O médico observa os resultados dos exames e me explica qual é a situação da minha saúde. Eu, que não estudei medicina, acredito nele. Essa é a fé humana. Mas o cristão tem uma “fé especial”. A esse respeito, São Paulo explica:

“Ninguém poderá dizer ‘Jesus é o Senhor!’ a não ser sob a ação do Espírito Santo ” (1 Cor 12,3). Por essa fé, acredito que Deus enviou Seu Filho, que nos salvou pela Sua Morte e Ressurreição. Então, essa fé é um dom especial de Deus. Por isso, faz parte das virtudes teologais. O mesmo raciocínio vale para a virtude da esperança. O jovem espera, por meio do seu estudo, conseguir ser mais valorizado. O namorado espera encontrar para a sua vida uma pessoa especial. O empresário espera bons resultados da sua atividades econômica.

E o cristão?

De novo encontramos uma bela resposta no Catecismo, que assim se expressa: “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, colocando nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças próprias, mas no socorro da graça do Espirito Santo” (N. 1817). No fundo, percebe-se que não existiria a esperança se não houvesse a fé.

E a caridade?

Aqui também temos uma base humana: todos queremos amar e ser amados, mas há, para o cristão, uma “caridade especial”. Por meio da fé, sabemos que “Deus nos amou primeiro” (1 João 4,19). Acreditamos e esperamos n’Ele. Deus, no entanto, que nos ama, derrama em nós o Seu amor, a caridade. Por isso, São Paulo afirma que “a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Graças a esse amor, praticamos a caridade, que corresponde àquela “virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.” (Catecismo, n. 1822).

Em suma, fazemos a distinção entre a fé, a esperança e a caridade, mas, ao mesmo tempo, percebemos que estão interligadas. “A fé sem as obras não tem valor” (Tiago 2,20), a esperança é fruto da fé e a caridade é fruto de ambas.

Qual delas é a mais importante?

São Paulo responde: “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade” (1 Cor 13). Essa afirmação faz parte do famoso “hino à caridade” escrito por São Paulo. Termino essa reflexão citando algumas afirmações deste belíssimo hino:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada….A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante, nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais acabará… Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.” (1 Cor 13,1-13).

Por Lino Rampazzo, via Canção Nova