A Embaixada Britânica junto à Santa Sé apresentou em Roma o Relatório Independente do Reino Unido sobre os cristãos perseguidos, em um evento realizado na Basílica de São Bartolomeu, santuário dos mártires modernos.

O relatório, encomendado pelo Secretário das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, foi preparado pelo bispo anglicano Philip Mountstephen, com a colaboração da ONG Open Doors, que trabalha em favor dos cristãos perseguidos.

Na apresentação de 15 de julho, a embaixadora britânica junto à Santa Sé, Sally Axworthy, assinalou que “a perseguição de cristãos é algo que acontece principalmente no hemisfério sul e entre os pobres do planeta. Esse é o primeiro ponto. Ele (o Bispo Mountstephen) diz que a perseguição dos cristãos é um fenômeno global. Acontece em todos os lugares e por isso acha que vale a pena considerar”.

O relatório, assinala Associated Press (AP), recomenda que o Reino Unido pressione o Conselho de Segurança da ONU para que aprove uma resolução que incentive os governos do Oriente Médio e do Leste da África a protegerem os cristãos e outras minorias perseguidas.

O documento, indicou a embaixadora, também destaca que a liberdade religiosa é um direito que os cristãos em alguns lugares não têm, e que algumas minorias não gozam, como os rohingya em Mianmar, os yazidis no Iraque ou os muçulmanos uigures na China.

Axworthy também se referiu às diferentes maneiras pelas quais os cristãos são perseguidos, como “os atentados com bombas em igrejas no Egito e na Índia, o sequestro de adolescentes cristãs no Paquistão e na Nigéria, a negação da liberdade de culto na Arábia Saudita ou nas Maldivas, ou a má aplicação da lei da blasfêmia no Paquistão”, uma norma que considera como crime o insulto à religião islâmica ou ao profeta Maomé, embora em muitas ocasiões seja apenas uma forma de pressionar as minorias cristãs.

O relatório afirma que cerca de 80% dos fiéis no mundo são cristãos. Em 2016, os fiéis foram perseguidos em 144 países. Segundo Open Doors, o número estimado de pessoas perseguidas é de 245 milhões.

Entre as causas da perseguição contra os cristãos, como o bispo anglicano Mountstephen indica, estão “o nacionalismo agressivo, o aumento do extremismo islâmico, que os cristãos falem com a verdade e que se convertam em alvos do crime organizado e de grupos criminosos”.

A apresentação do relatório contou com a presença de Pe. Angelo Romano, professor de história contemporânea da Pontifícia Universidade Urbaniana.

“Acho que a iniciativa de hoje tem grande valor para mostrar as histórias de muitos cristãos no mundo que são perseguidos em nosso tempo”, disse Pe. Romano.

Como o Papa Francisco disse ao visitar esta basílica em abril de 2017, “a herança viva dos mártires doa hoje a nós paz e unidade. Eles nos ensinam que, com a força do amor, com a mansidão, se pode lutar contra a prepotência, a violência, a guerra e se pode realizar a paz com paciência”.

Via ACI Digital